Um grande nada
Para o criptógrafo
Um blog sobre não sei o quê
- Salva os chinelos, de uma súbita onda mais atrevida, que tencionava levá-los de férias, para outras paragens.
- Vai-se roendo de remorsos, por ver as ondas perfeitinhas que vão rebentando, e ele fora de água.
- Leva na cabeça, por ter tirado mais fotos à interferência, que à aula.
Dizer que esta senhora é só ancas, é extremamente redutor. Ela também consegue mexer o torso de uma forma absolutamente divinal! Sim, é verdade. Esta senhora troca-me os olhos cada vez que começa a dançar. Ela até nem é especialmente bonita, mas aqueles movimentos... Como diria um colega meu, após a ter ido ver actuar, no ano passado: "Cada música dela é um table dance". Ora, e aqui, fico eu surpreendido: "Ai ela canta? Nunca tinha reparado!". Sou facilmente hipnotizável. E aquelas ancas funcionam melhor que um relógio a pendular. Sou um fã confesso daqueles movimentos, quer de ancas, quer do resto do corpo, que deveriam ter direito a marca registada. E não sou o único. Basta entrar, por exemplo, num sítio onde esteja a passar o vídeo da música dela com o Alejandro Sanz, para ver a quantidade de baba que escorre do canto da boca dos homens, que olham hipnotizados para a televisão. E pensar que a explosão do seu sucesso se deu, quando ela revelou ao mundo que era portuguesa, mais concretamente, algarvia, com aquela sua música: "Loulé... Loulé... Loulé...". Dá-lhe moça!



O dia começou à pouco. Estranho, apesar de ter o resto do dia à minha frente até chegar a hora de ir trabalhar, já me sinto condicionado pelo simples facto de o ir fazer de noite. Uma espécie de inquietação, que me deixa desconfortável e me impede de desfrutar deste tempo livre. Estúpida sensação esta. É como estar a preocupar-me com um problema, sem ele ter acontecido ainda. Se me deixar levar por esta dormência, sou capaz de estar o dia todo em casa, sem fazer nada de produtivo, andando para trás e para a frente, sentando-me no sofá para logo de seguida me levantar. Até o livro em que pego, não é suficiente para me prender a atenção. Pareço uma fera enjaulada. Ou então é o contrário e secumbo a uma inércia, que me deixa prostrado todo o dia. Mas hoje, não vou deixar que o torpor leve a melhor. E nada melhor que uma ida até à praia, para limpar todas as más ondas. Até já, neura.
Para ti que procuras respostas onde não as há. Que sentes derrota num mundo que não te foi simpático. Que não apontas o dedo, mas ofereces um olhar acusador. Que temes, embora não o saibas. A ti, a quem as mudanças da maré não trouxeram esperança. O céu que te cobre, enegrece, túrgido de mágoa. Apenas um passo, e tudo parecerá perdido. Será sempre assim? Talvez as respostas não sejam necessárias. Apesar dos medos, não resistir. Tentar, e descobrir que afinal é possível, que a felicidade existe. No despertar de um sorriso. Numa carícia que é oferecida. E saber no final, que debaixo dos espinhos, a beleza tenta florescer.
Tenho à minha frente um cursor que pisca. Pergunta-me o que fazer a seguir. Como se eu tivesse as respostas... O que escrevo não satisfaz dúvidas. Quando muito, aumenta-as. É apenas mais um capricho. Uma espécie de narcisismo. Eu escrevo, e se eu gosto, então mais alguém há-de gostar. Meras ilusões que alimentam o desejo. E quando eu não gosto? Quando apago compulsivamente tudo o que escrevo? As palavras estão fora do sítio. Não é bem isto que quero dizer. Esta forma de exteriorizar, nem sempre satisfaz. Dói. Muitas vezes dói. Deitar num algomerado de letras, sentimentos confusos, ideias soltas. Que estranha forma de comunicar. Deixar que os dedos tenham vida própria. Que as palavras tomem conta de si mesmas. Já não estou aos comandos. O que é escrito, flui incontrolavelmente. Brota de mim numa torrente de palavras que se juntam para deixar escapar emoções. Gritos que não dei. Carícias que podia ter dado. Os porquês assaltam-me, avassaladores. Acumular um mundo de talvez, não ajuda. Está feito. Correr com um sorriso nos lábios pode ser uma solução. Tomo consciência de mim. E é neste momento que tudo pára. De novo ganho controlo sobre o que escrevo. Mais uma vez surge o filtro imposto pela consciência. Já nada é expontâneo. Fica uma vaga sensação amarga na boca. Como se após provar o que me satisfaz, descobrisse no seu interior uma desilusão. Nem sempre posso vogar fora de mim. Não posso ser sempre um sonhador. Mas tento resistir, neste breves momentos, contra as normas que me são impostas. É um escape. Uma forma de me manter são. Um curto prazer que me proporciono. Talvez, mais um passo para ser feliz.
Quem não viu já este anúncio (ou algo semelhante), pespegado por esses outdoors de Portugal a fora. Até aqui tudo bem. O problema foi que um belo dia, ao passarmos junto de um destes cartazes, a Sónia se virou para mim, e disse: "Não sei porquê, mas ao príncipio, sempre que olhava para este anúncio, lia: Leve na Boca!". Risota total, logo no momento. O grande se para mim a partir daí, é que não sei se por sugestão, por piada, por ver o cartaz de relance, ou sei lá o quê, agora sempre que vejo o anúncio, não consigo evitar ler: Leve na Boca!
Há quem diga que fiquei parecido. É questionável.
Notícia de última hora, quase em segunda mão! No passado Domingo, este rapaz espalhou o pânico, durante largos minutos, junto de quem visitava o Mosteiro dos Jerónimos. Foi visto vaguendo pelos claustros, assustando incautos turistas, que eram apanhados desprevenidos pela sua aparição súbita. As suas vítimas preferidas eram, maioritariamente, posantes para fotos, que ficavam de tal modo perturbados, que iniciavam um convulsante ataque de riso, capaz de provocar engasgos, e quiça, um pequeno pingo nas cuecas. Apesar dos esforços, não se sabe até ao momento, quais as suas motivações. Fontes mais ou menos fidedignas, dizem tê-lo visto, minutos antes, junto ao recinto onde decorria o campeonato regional de PaintBall, recolhendo algumas bolas não rebentadas do chão, na companhia de mais dois indivíduos, tendo depois 

Mas, nem tudo o que parece, é:
Estas não davam para apanhar, a não ser de skimming. Mas lá que ficavam bem na fotografia, ficavam.![]() |
Já o técnico e o referido autor, estariam, talvez, com os cabelos no ar, e a dizer uns quantos palavrões. Desgraçado do técnico, que volta e meia tem que levar com este tipo. Como tal, dizemos nós, ficámos mais uma vez livres, nem que seja por um dia, do típicos humores variaveis do autor. Mas como amanhã será um novo dia, quase de certeza não teremos a mesma sorte.
Ou seja, mais ou menos parecido com o que (quase) todos os surfistas fazem antes de entrar dentro de água: Ir ver como está o mar-vestir o fato o mais depressa possível-rodar duas vezes os ombros enquanto se aguarda a vez para pôr protector na cara-correr para dentro de água. Entretanto, no decorrer desta minha reportagem fotográfica, o meu trabalho foi dificultado por várias interferências:
Mas nunca deixei que tal influenciasse a qualidade do meu trabalho, distraíndo-me das razões por que estava ali, nem nunca deixei que a minha máquina tirasse mais que umas 4 fotografias destas interferências. Adiante. Treino de take-off (levantar em cima da prancha) em terra, e altura então de a Sónia ir para a água, tentar pôr em prática mais uma dose de ensinamentos.
Enquanto a Sónia entrava dentro da água gelada, toda catita de fato novo, eu entrava dentro de água de calções, armado em repórter fotográfico, e tentando que as fotos não ficassem demasiado desfocadas com a distância a que eram tiradas, nem com as minhas tremuras. Tudo isto, enquanto tentava, também, que a água não me passasse do joelho e molhasse o telemóvel e chave do carro que estavam no bolso. Repórter sofre. Lá mais para dentro de água, a Sónia começava o seu desempenho.
E a avaliar pelas demonstrações, cheira-me que com mais um esforço, em menos de nada temos surfista. Lá acabou a aula, a Sónia saiu de dentro de água quase de rastos, mas feliz, e eu sai para lá de enregelado. De qualquer forma, rapidamente aqueci (procedimento descrito mais acima), pois estava na minha vez de ir estampar um sorriso na cara!
Que se veio juntar a estes dois, religiosamente comprados no dia em que foram postos à venda:
Perdoe-me quem não gosta, mas eu gosto e muito! Só me assustei um bocado quando olhei para o bilhete e vi lá escrito "música no coração". Mau, queres ver que me enganei e comprei bilhetes para um musical qualquer, sobre um filme que vi sei lá quantas vezes em pequeno, em vez de comprar para o concerto?
Acabei de acordar, depois de uma noite de trabalho. Ainda meio atordoado, só consigo chegar á conclusão que não fui mesmo feito para trabalhar de noite. Fujo por momentos até à semana anterior, em que trabalho não era com certeza uma das minhas preocupações. Fiquei com esta imagem na cabeça, de uma das nossas incursões por alguns dos pequenos paraísos que ainda vão resistindo lá por baixo. E quando falo de paraísos, não me estou a referir aqueles aldeamentos de luxo que por lá pululam a torto e a direito, e que de uma forma desordenada, conseguem destruir tudo o que antes era bonito de disfrutar. Falo daquelas praias praticamente virgens, que ainda vão conseguindo resistir à voragem do betão, talvez por estarem na parte mais fria do Algarve/Baixo Alentejo. Ainda assim, a pressão começa também ali a ser visível, e mais dia menos dia, até por lá devem conseguir destruir o pouco de beleza natural que ainda nos resta. Por isso, e como pouco ou nada posso fazer contra tais atentados, tento pelo menos guardar memórias visuais da beleza que temos, mas que poucos parecem entender. | You Belong in Paris |
![]() You enjoy all that life has to offer, and you can appreciate the fine tastes and sites of Paris. You're the perfect person to wander the streets of Paris aimlessly, enjoying architecture and a crepe. |