Num canto da cidade
Dedicado ao azelha incógnito que resolveu dar um toque especial ao nosso XU e nem sequer se dignou deixar um contacto, para lhe agradecermos os estragos.
Um blog sobre não sei o quê
Silêncio. Não um silêncio que incomoda. Antes um estar bem, sem nada ser preciso dizer. Chegámos aqui. Dúvidas são mais que muitas. Ficar preso às perguntas nunca fez ninguém avançar. Sente-se na pele. Não vês. Sabes. Um sorriso que aflora sem razão. Esperar. Sempre a espera. É um novo mundo. Com medo. Temer faz parte. Com coragem. Passos trémulos rumo ao que se desconhece. Gratidão. Felicidade. Apesar de tudo a natureza sobrepõem-se. Ser.
O que fez com que duas meninas acabassem por ficar sozinhas, na areia, a tirar fotografias e a conversar (coisa que fizeram ininterruptamente), enquanto os restantes quatro, nem queriam acreditar na sorte que tinham, por terem aquelas ondas só para eles! Mas eventualmente acabaram por se cansar e lá sairam da água.
A conversa continuou animada, desta vez, a seis vozes. Aliás, no espaço de muitas centenas de metros, eram as únicas vozes. Durante esta pausa, aproveitámos para tirar o retrato de encontro de Bloggers.
Se bem que um deles foi apanhada um pouco de surpresa, e acabou por ficar com a boca na botija, ou antes, na sandocha! O mar começou a chamar por nós novamente, e como uma parte do grupo já tinha deixado a praia para ir fazer umas compritas, lá acabaram por ficar as duas meninas entregues ao seu bate-boca mais um pouco.
Muito sinceramente, nem sei sequer se deram pela nossa ausência! O que sei realmente, é que gostámos muito de conhecer este casal super simpático e agora que os conhecemos, será com imenso prazer que os voltaremos a ver.
Além do mais, para mim, foi uma experiência realmente diferente, conhecer alguém que, embora até agora fosse uma completa desconhecida, me parecia já muito familiar. E foi também uma forma de começar a responder, a mim mesmo, àquela pergunta que tantas vezes já me foi feita: Afinal quem é a Sara?
Ontem foi dia de visita a este evento. Tudo isto pode ser uma patetice, mas eu gosto. Tem o seu quê de piada, viver esta espécie de carnaval fora de época. Sabe-me bem passear pelo meio desta encenação toda e dar um pouco asas à imaginação. Espreitar as bancas onde se vendem os mais variados produtos, alguns de eficácia algo dúbia. Beber ginja por copo de chocolate, apesar de a festa do mesmo ser só lá para Novembro. Ver a animação de rua que aqui e ali nos vai sendo proporcionada, como uma espécie de entrada para a peça mais ao final da noite. Mergulhar um pouco num ambiente descontraído, onde não se vêem muitas caras preocupadas. Além de que uma visita a Óbidos, é







Nada como ter uns amigos holandeses perto de nós, para os podermos massacrar um bocadinho com o jogo Portugal-Holanda. Massacres à parte, houve também os festejos da recente gravidez da Marion, e recordações de uma festa algo doida, com gente a rebolar pelo chão fora, que houve no já extinto Gringo's. Sangria para apaziguar o calor do Fondue, e a noite terminou com alguns roubos de Profiteroles e um regresso a casa, já sem o trânsito caracol que se arrastava penosamente pela marginal quando chegámos, meio ensonado.
Falta de tempo. Talvez, falta de vontade. Basta abrir os olhos. Sinto-me como se tudo corresse e eu estivesse parado. Estou fora de ritmo. Não dou os mesmos passos. Quero entender o que me dizem. As histórias já vão a meio. Tudo em tão pouco. Fui num breve inspirar, mas ao exalar já nada era igual. Mudanças. Constantes alternâncias que neste momento me deixam confuso. Não vejo as mesmas caras. Vejo as mesmas caras. Já não as sinto da mesma forma. Talvez seja eu. Se não estás, rapidamente és devorado pela ausência. Estar alheado do mundo. Foi dito, mas já não o sinto. Ponho o pé na porta. Ela teima em tentar fechar. Efémeras sensações. Tento tocar em alguém. Outra voz responde em seu lugar. Foi bom ter, é bom saber que tive. Desligar. Precisei de partir. Agora nada sei. Faltam-me as forças. Preciso de te encontrar. Mas, falta-me tempo.
E fez dez anos, no Sábado, que esta maltinha anda na "linha". Quer dizer, excepto a menina, que fez cinco anos, e o Mestre Faria que já nem sei em quantos vai! Incrível como o tempo passa sem dar-mos por isso. Ainda ontem eramos uns putos e agora... continuamos a ser! Para comemorar, no Domingo enfiou tudo um capacete na cabeça, e fomos dar um passeio de moto 4.
Apesar dos saltos, descidas alucinadas em alta velocidade, curvas em três rodas, muito pó engolido, umas quantas árvores a "amandar-se" para o meio dos trilhos que, sabe-se lá como, fomos conseguindo evitar, e mais uns quantos sustos, não houve incidentes de maior.
O maior problema acabou mesmo por ser a moto do Barata e do Geraldes, que a cada 500 metros resolvia ir abaixo, o que fez com que o passeio tivesse que acabar mais cedo. Depois de uma banhoca gelada, porque os senhores da organização não conseguiram ligar o esquentador, lá foi tudo almoçar, porque isto do pó com calor, dá uma fome e uma sede que não lembra a ninguém.
Apesar de toda a gente ter saído do almoço a rebentar pelas costuras, sei de fonte fidedigna (o irmão do filho mais novo do tio de um primo direito meu), que houve dois indíviduos que continuaram, tarde fora e noite dentro, a deglutir caracóis e cerveja como se não comessem à mais de quinze dias. Também ouvi dizer, que os despertares na Segunda, foram algo difíceis. Ouvi dizer. Não asseguro.
Emplastro francês, em acção, na Grande Plage, Biarritz.
passamos finalmente a fronteira entre Espanha e França, debaixo do olhar atento de polícia de ambas as nacionalidades. Não nos mandaram parar, apesar de estarem a revistar bastantes carros. Deduzo que um carro de matrícula espanhola, pranchas ao alto, com um recheio que é 75% português e manda umas bocas (em português) sobre o primo da Cristina pertencer à ETA (não pertence), não tem um ar suspeito. O verde é o que causa o primeiro impacto por aqui. Tudo transpira vida. Logo a seguir, o pontilhado de casas típicas, onde os prédios soam já a miragem. Parece que conseguimos sentir o ritmo a abrandar. Tudo se começa a mover sem stress, e acabamos por ser influenciados por este sentir. Largamos as malas no Chalet que alúgamos, e vamos limpar dez horas de ar condicionado para a praia. São 19 horas. O temperatura ronda os 30º. Vamos para a água a medo. Passados 20 minutos, ainda andamos lá dentro, porque a água está surpreendentemente quente, e apenas saímos, porque ainda teríamos que secar um pouco e pensar onde jantar. Um ligeiro ondular, promete para o dia seguinte, o que de momento está calmo demais para quem veio (não só, mas também) à 



Quando passas e deixas um perfume no ar. Amarga lembrança de alguém que já não és. Passos que percorrem este quarto. Sorriso fácil, que enleva. Acredito agora, que quatro paredes podem encolher. Prendem-me muros de nada. Sufocam-me. A carícia que ainda sinto quente na pele. Pudesse eu apagar as lembranças. Risco em mim palavras que ferem. Nada sinto. Dói-me. Num sussurro ouço-te de novo. Afundo-me. Melhor não pensar. Ou pensar melhor. No espelho o teu reflexo. É o meu. Queria que fosse o teu. Desaparece. No entanto ficas. Quero viver de novo. Corrói-me a ausência de côr. Nada me resta. Talvez tenha tudo. Qual o melhor caminho para sair da escuridão? Acender a luz ou aprender a ver de outra forma?
Ok, o inferno de Irreversível é bem mais intenso. Mas este (pego do inferno) andava a solicitar uma visita, já há uma carrada de anos. Desde que em tempos, para se lá chegar, era preciso invadir propriedade alheia. Agora a coisa está muito mais democratizada (e estragada), e há bancos e mesas para pic-nic, sendo o acesso feito, já sem cortes e arranhaledas, por um novo caminho feito à medida. E perguntava-me uma amiga: "Isso é no Algarve?" E digo eu: "À pois é, bebé!". A localização: Quem sabe, sabe. Quem não sabe... é só investigar.
Parece que ainda não acentei, e está a custar-me um pouco tomar consciência de que realmente já acabaram as férias e estou de volta à vida de todos os dias. Talvez isto ainda seja efeitos do fim-de-semana passado, com vitória de Portugal e Colete Encarnado à mistura, que se veio juntar ao corpo ainda com ritmo desacelerado, depois de uma semana algarvia de praia, comer e dormir, que se seguiu a Biarritz. Quem sabe os porquês... Talvez um dia destes a cabeça volte ao sítio.
Pé ante pé, aproximo-me, e estico o pescoço para espreitar. Ainda a medo, vejo os mesmos lugares, e sinto-me em casa. Reconfortante esta sensação. Mas embora reconfortante, não apaga a pequena angústia que começa a revolutear dentro de mim. Sentir necessidade de voltar ao conhecido de todos os dias, mas com vontade de continuar a vogar pela novidade. Cá estou. Não queria estar. Se calhar queria. Temo que o que quero não seja realizável. Há um conforto em todo este confronto. Há palavras amigas. Há vontade de sentir o pulsar de sangue que não o meu. Feliz apesar de tudo. Mente ainda aberta, com leves esperanças que assim permaneça. Sorrir, em vez de enfrentar o novo dia com um franzir de sobrolho. Todos os dias deveria ser assim. Agora vai ser assim. E apesar de o sol se esconder timidamente hoje, ele está lá. Eu vi. Cheguei.