Resoluções de fim-de-ano
aahh...
... er... ââhh
... pois... e tal...
hum,hum...
... é que... bom...
'tas a ver, não é...
... huuuummm...
Pronto, só uma:
Não tomar resoluções que sei que depois não vou cumprir!
Um blog sobre não sei o quê



Eu confundi um pato que pescava no rio, com um peixe, o que deu galhofa até ao fim das férias! Sempre que se avistava um pato, alguém dizia: "olha um peixe!". Adiante. Como não podia deixar de ser, vimos o Papa. Continuo a não ter a certeza, de que não existe uma conspiração do Império, algures no meio desta nomeação... E com toda a sumptuosidade existente em toda e qualquer igreja por onde passámos, é cada vez mais difícil aceitar a hipocrisia destes senhores, quando nos vêem pedir para ajudar os mais pobres. Mas, pronto, não vou entrar por aí. Depois de algum desnorte no primeiro dia para encontrar a Fontana di Trevi, acabámos, a ir lá parar todos os dias! Ao estilo 5ª dimensão, parecia que todos os caminhos lá iam dar!
O problema, é que mesmo ao lado, ficam as ruas das lojas lá da zona. Logo, haviam mais sessões de visita a lojas, do que as que eu e o Luís desejávamos! A única coisa boa, era que ía dando para vermos as vistas! As vistas, neste caso, as italianas (e os italianos, segundo elas), salvo raras excepções, não são nada de especial. Parece-me que por cá, se vê um número maior de mulheres bonitas por m2. O que realmente acontece, é que como elas se arranjam muito bem, quando se vê uma mulher bonita, ela está realmente muito bonita (então se andar de bicicleta, de mini-saia e de saltos altos...). No campo da comida, as pizzas e os gelados deles, nada têm a ver com os nossos, e são realmente do "outerspace"!
Que o diga a minha balança! Tornou-se quase impossível resistir a uma dieta baseada em refeições de pizza, seguidas de gelado como sobremesa! Também foi giro, encontrar e comer bombocas! Já nem me lembráva da existência de tal coisa! O que vale é que como andávamos sempre a pé, os efeitos de todos estes doces e pizzas, foram minimizados! Pelo menos, ainda consigo vestir o mesmo número de calças! 
Pela internet a fora, lá deparámos com um site onde os preços eram bastante bons, fazendo com que pagassemos em alojamento, metade do previsto. Escolhemos um apartamento com um ar bastante moderno (aahhh, a magia do fotoshop...), mas sobretudo com uma localização muito central. Quando o taxista nos largou ao pé de um beco de aspecto duvidoso, com vista para umas magníficas vigas de ferro que escoravam o prédio, começámos a deitar as mãos à cabeça!
Onde é que nos tinhamos metido! Entrámos com o índividuo que nos entregou a chave, mas já pensando em perguntar-lhe onde ficava o hotel mais próximo! O apartamento, embora com um aspecto relativamente parecido com as fotos, tinha um ar velho e gasto. Isto, a juntar à escada do prédio e às paredes exteriores que pareciam ir ruir a qualquer momento, foi proporcionando os olhares que ficam aqui mais ou menos espelhados!
Como já era 1 da manhã, e, apesar do aspecto mais ou menos velho, o apartamento aparentava estar limpo, resolvemos ficar. Tocávamos nas coisas com a ponta dos dedos, com aquele nojo, que uma visão nocturna das coisas proporciona. Houve até quem tentasse dormir sem cobertor, pois o mesmo lhe parecia completamente imundo! Rapidamente a esquisitice lhe passou, pois embora não estivesse frio, não estamos propriamente no verão. Mas como não há nada que uma boa noite de sono não resolva, pela manhã,
já tudo tinha muito melhor aspecto. O beco, afinal não era assim tão duvidoso, pois albergava uma Trattoria com óptimo aspecto (que se estendia às empregadas!) e que era frequentada por italianos com tudo menos aspecto de pobretanas. O apartamento não era assim tão mau (apesar de não ter esquentador, e sim um termoacumulador ridiculamente pequeno, o que obrigava a haver o turno da manhã e o da tarde para os banhos!), estava limpo e não caiu enquanto lá estivémos! E a localização, era a melhor que podia haver. Ficámos ao pé do Panteão, e em menos de 20 minutos a pé, estávamos em qualquer um dos monumentos mais importantes ou no Vaticano. E numa cidade como Roma, que tem um Metro que não serve praticamente para nada, obrigando a andar de autocarro num trânsito caótico, a boa localização vale ouro! 
Lesma Handling?!? Logo aqui, devia ter desconfiado que as coisas não se iriam passar de uma forma muito normal. Fomos para a fila para embarcar, e como ainda era cedo, fomos os primeiros. Com o aproximar da hora de abertura do balcão, tivémos que fazer marcação cerrada ao mesmo, pois as pessoas aglomeravam-se junto dele, como quando há distribuição grátis de qualquer coisa! A mocita da Ryanair chegou, e disse que primeiro embarcavam as pessoas acompanhadas de crianças e as que tinham os cartões de embarque numerados de 1 a 65. Se o aglomerado já era grande, começou a ficar caótico. Havia pessoas com bébés a tentar passar, mas que era impedidas por outras, pessoas (como nós) que tinham números baixos e que tinham que abrir caminho à cotovelada e ainda uma velha italiana e outra espanhola, que queriam à viva força entrar primeiro, desse lá por onde desse! Lá descemos as escadas, e ficámos à espera, pensámos nós, que chegasse o autocarro para nos levar para o avião. Entretanto, a velha italiana, já tinha furado pela fila a fora, e estava colada nas nossas costas, empurrando desenfreadamente! Ela tentava passar por nós, e ir para ao pé das pessoas que tinham bébés, e que se encontravam mesmo à nossa frente, pois eramos os primeiros da fila a seguir a eles. Nós, muito subtilmente, formámos uma espécie de barreira humana, o que a impediu de atingir os objectivos. Era vê-la a empurrar, a bufar, e a praguejar desalmadamente, enquanto nós sorríamos com o sorriso mais delicado do mundo! De repente, um senhor do aeroporto, remove a fita que tinhamos à frente, mas isto sem nada de autocarro no horizonte! Percebemos então, que era para ir à la pata até ao avião! Pensavam que isto do low cost era só benesses? Mantivemos a nossa barreira, e a senhora quase tinham um ataque cardíaco por não conseguir passar! Até que resolveu sair do caminho que nos tinham indicado, e atravessar em diagonal, mais ou menos pelo meio da pista até ao avião! Desta vez o ataque cardíaco ia sendo do pessoal do aeroporto, que teve que correr para a tirar dali! Mesmo assim, conseguiu chegar primeiro que nós ao avião. Lá dentro, mais empurrões e cotoveladas, enquanto toda a gente tenta escolher o lugar. Mais parecia uma manhã na feira do Relógio, do que um final de tarde num avião! Os lugares têm um pouco menos de espaço para as pernas e os bancos não reclinam. Não nos servem aquelas sandes manhosas. Só a pagar! Mas também, para voar 2 horas, nada disto me parece necessário. Também não tivémos que sair, para empurrar o avião para a pista. E o piloto, não desligou os motores para poupar combustível quando atingiu a velocidade de cruzeiro, como chegámos a pensar! E quem realmente transformou aquele início de viagem num carnaval, tipo javard air, foram as pessoas. É assustadora a falta de cívismo de algumas, e o quão baixo se pode descer por causa de uns lugares num avião. No final de contas, o preço reduzido, até valeu a pena.
Mesmo com este frio, o espírito consumista das nossas mulheres não se foi abaixo, e tivémos que fazer um tour pelas lojas lá da zona! Completamente enregelados, finalmente fomos para casa beber um vinho tinto para aquecer. Jantámos à la espanhola, que é como quem diz, umas tapas caseiras e cama, pois no dia a seguir: "Roma aí vamos nós!"