Sexo
Um blog sobre não sei o quê
2:30. Uma hora a que ninguém deveria ser obrigado a estar acordado. Pelo menos é isso que sinto, quando vejo a chuva que cai e me lembro do bem que me sabe, estar deitado na minha cama a ouvi-la. E como chove hoje. Espectáculo bonito para mim, mas um tormento para tantos outros... Estou como num sonho, sinto-me até um pouco dormente. Dolorosa esta sensação de querer dormir e não poder. Como é difícil lutar contra as pálpebras que se vão tornando mais pesadas com o passar das horas. Faltam ainda algumas, antes que possa sentir o abraço dos lençois e descansar enfim. E calo-me. Pois as palavras soam-me repetidas e com um travo amargo conhecido.
Sentes incómodo, quando as minhas mãos friccionam a pele da barriga que te envolve? Ou quando pressiono ligeiramente, na tentativa de também eu te sentir? As minhas mãos e as da tua mãe, dão-te algum conforto quando as sentes próximas? Ou apenas as sentes como algo que te está a incomodar? Provavelmente, perguntas que nunca saberás responder. Dorme então. Não falta muito para te poder aconchegar nos meus braços.
(...) E há alguns anos atrás, nascia alguém, que nem sequer suspeitava da influência que viria a ter na minha vida. (...)
...porque sentia como que um vazio no estômago, que de alguma forma lhe diminuía a amplitude barrigal, devendo por isso ser dado o devido desconto.
A Sara refutou este argumento, para espanto da Sónia, dizendo que quase não comia desde o almoço, tinha lavado o carro, feito arrumações e o jantar, mas o perímetro da sua barriga mantinha-se igual.
Argumentos trocados, nada a fazer. Resultado final: Sara 36 - Sónia 20 (semanas).
Uma clara vitória da concorrente que jogava em casa, que talvez fazendo valer esse mesmo factor casa (dispunha inclusive de claque, que embora
algo tímida, fazia-se notar), venceu sem dar qualquer hipótese à adversária.
Estranho, que o sol não me pareça hoje o mesmo de sempre. Colo o nariz ao vidro e sinto a vista ficar turva. Não são lágrimas. As lágrimas sabem a sal e arrastam sentimentos. Eu apenas não estou a conseguir ver. Existe algum conforto nesta sensação. Talvez o saber que ao voltar a ver, tudo parecerá renovado, fresco. Os sons chegam até mim abafados. Pareço estar a fechar-me em mim. É uma espécie de casulo. Nada me toca verdadeiramente. As coisas apenas ao de leve me são apresentadas. Sou obrigado a confrontar-me comigo. Com os meus porquês, com os meus remorsos, com as minhas angústias. Mas também com os pequenos prazeres, com os pequenos momentos de felicidade, com aquelas sensações de bem-estar que por vezes esqueço, apenas porque fora de mim tudo se está a passar demasiado depressa. Olhar para dentro. Mas sempre com um estímulo exterior. A solução está dentro. Mas também fora. Tão simples como respirar sem o sentir. Afasto-me um pouco da janela, ainda grato por este pequeno momento. Este pequeno momento, em que a beleza do que me ultrapassa me obrigou a parar um pouco. E entretanto, o sol brilha.

...e também ver a exposição fotográfica da Xu (que entretanto já acabou, mas penso que quem estiver interessado em ver o portfólio, pode entrar em contacto com ela pelo mail disponível no blog). Foi um dia muito engraçado, com direito a muita conversa, dicas sobre decoração, peixeiradas à moda do Porto, visitas guiadas, um almoço muito bom no Les Amis, mais visitas guiadas, sentimentos de inveja provocados por vistas a partir de certas casas, mais conversas, café com vista para mar tempestuoso, corridas loucas para apanhar o comboio de volta a casa e brincadeiras com um cão super-simpático.
Depois de tudo isto, como não ficar com vontade de lá voltar? No dia seguinte, deixámos Lisboa debaixo de um dilúvio e rumámos a Sul. Lá por baixo, a chuva andava com um humor um pouco melhor. Como o mar andava com uns tamanhos esquisitos na costa Oeste de Portugal, ali na costa Sul apresentava ondas que nem sempre se vêem por aquelas bandas. O que fez com que conseguisse surfar 5 dias!?! seguidos em Quarteira!
Na segunda-feira desta semana, tivémos direito a um dia na praia do Tonel, em Sagres, que lembro-me de poucos assim, no verão, por estas bandas. Calor, ausência de vento e água quente?!? Tanto que a friorenta Sónia foi duas vezes à água! Quanto às ondas, estavam excelentes. Mas isso já é bastante mais comum por estes lados.
Houve ainda mais dois dias em que foi possível fazer praia. E isto no final de Outubro. Deve faltar pouco para sermos um país tropical. Adiante. Entre refeições pacatas em casa e um salto a Sevilha para tapas, fizemos ainda uma inevitável visita ao Sushi-Ya Lounge, em Faro, porque a Sónia já andava com desejos e eu não estou lá com muita vontade que a criança nasça com os olhos em bico!
O resto do tempo foi disfrutado com passeios, leituras, sonos postos em dia e também algum cinema. Talvez já um pouco a preparação para a inevitável mudança na vida que se avizinha...